Qual é o poder que um conceito prévio, aquele que já nasce formado, exerce nas nossas vidas? E quem somos nós para nos acharmos sabedores de tudo???
Há cerca de nove meses iniciamos nossas tentativas de ter um baby em casa. Há muito mais tempo, sabíamos que poderíamos ter dificuldades, pois marido tem varicocele e isso pode interferir na produção dos espermatozóides. Há algum tempo, ainda, que peso minhas palavras com ele (ou ao menos tento!), para que ele não se sinta mal, chateado, com o fato de que nossa possível infertilidade é masculina.
Pois, é claro! Esse problema já foi diagnosticado anos atrás, quando ainda nem éramos casados, e sempre fizemos o acompanhamento médico e sempre soubemos que teríamos que lidar com ele!
Mas daí que, de repente, a vida te prega uma peça... e te mostra que nem tudo é como parece ser...
Essa semana fomos a uma consulta com um novo GO, especialista em reprodução humana. Estava cansada das opiniões divergentes entre minha médica e o médico dele. Esta consulta já estava marcada há mais de um mês, e parecia que esse dia nunca chegava!
Mas chegou. E eis que, analisando nossos exames mais recentes, tomamos um susto: parece-me que, na verdade, o maior de todos os problemas sou EU!!!
Pelos resultados dos exames, neste último mês eu com certeza não ovulei, e tudo indica que este mês não foi o único.
O nosso “conceito prévio” nos pregou tamanha peça, fazendo-nos acreditar que o problema já era conhecido, que já sabíamos com o que lidávamos, que de repente se deparar com essa informação foi um baque e tanto!
Perguntei para o médico o motivo provável disso, e ele disse que nas minhas ultrassonografias há indícios de cistos, o que me introduz no famoso mundinho da “SOP” – Síndrome dos Ovários Policísticos.
Como se não bastasse, os poucos exames hormonais que a minha GO pediu (após, reitere-se, extrema insistência minha!), mostraram alterações que o deixaram preocupado, e vamos ter que investigar mais a fundo.
Assim, parece-me que, quase um ano depois do “início” de tudo, depois de toda a aflição, a esperança, a expectativa, a angústia, o medo, as ilusões... depois de tudo isso e muito mais... voltamos ao começo.
Os próximos passos, agora:
1º) nunca mais, nunca mais mesmo, voltar à minha “antiga” GO – que me deixou passar por duas consultas para, somente na terceira, dar ouvidos às minhas queixas de que o meu ciclo menstrual estava muito curto, e assim pedir uns exames de sangue, e que além de tudo nunca nem desconfiou dessa possível SOP;
2º) passar por um mapeamento hormonal, pedido pelo novo médico, para sabermos direitinho a quantas andam os meus hormônios bagunçados;
3º) marido refazer o espermograma em um laboratório “de ponta”;
4º) encarar a tão temida HISTEROSSALPINGOGRAFIA, que o médico já pediu de imediato, para descartar qualquer possibilidade de problema anatômico.
Confesso que a história da “Histero%$%&!$&#%” me pegou desprevenida! Nunca tinha me passado pela cabeça fazer esse exame, porque sempre achei que sabia a causa da demora do nosso baby, e que ela não tinha nadinha a ver comigo! Mas não vou pensar muito no exame não! Nos próximos dias já inicio um novo ciclo, então vou marcar para esse mês mesmo, e virar essa página! Com certeza, ela não deve doer mais do que a dor que temos sentido aqui no peito...
Feito tuuuuudo isso, voltamos em consulta para traçar os próximos passos.
E fica a lição: não sabemos de nada nessa vida! Não podemos nos acomodar com uma situação, porque ela pode, simplesmente, nos cegar para um mundo de outras coisas!
E vale registrar: continuo aqui, esperando as “tão esperadas” BOAS NOTÍCIAS!!!