Ai, gente, tô mal... Malzona mesmo, e, claro, pensei em desabafar aqui, prá vocês...
Já até tinha um post escrito pra hoje, mas esse vai ter que passar na frente. Deixo o outro prá amanhã!
Vamos aos fatos!
Maridão me pegou no trabalho hoje, e estávamos belos e formosos ao voltar para casa. Ele me perguntou se eu estava bem (por causa da visita "ridícula" de ontem - é, a monstrenga), e pronto, bastou prá eu entristecer...
Tentei deixar prá lá, mas a gente sabe que, lá no fundo, não consegue. É sempre assim.
Vim o caminho todo até em casa meio quieta, calada, tentando fazer força para brincar, conversar.
E, quando estávamos chegando, a retardada aqui fez a "porcaria"...
Passamos por um vizinho mala (todo mundo tem um vizinho mala, né? Pois é, mas esse é demais, se acha o gostosão, o bonzão, o sabe-tudo), e ele estava com seu lindo filhote de mais ou menos um aninho...
Caraca, o cara é o maior chato da paróquia, e ainda assim, tem um filhão lindo de viver daquele??? Como pode??? Cadê a justiça, hein???
Gente, eu sou uma pessoa super-do-bem, e meu marido, bom, esse é do outro mundo! Tá prá nascer criatura mais bondosa, simpática, alto-astral, altruísta, que ele... Só que a gente NÃO TEM UM BEBÊ!
E aí, essa "retardada" que vos fala, faz o que? Vira para o maridão e solta, sem pensar, a seguinte frase:
"Até esse mala desse vizinho tem um bebê e a gente não!!!"
Nessa hora, gente, meu mundo caiu... Meu marido, sempre tão otimista, tão "prá frente", olhou prá mim e em seguida baixou o olhar. Não disse nada. Nadinha. E eu li, na expressão e no silêncio dele, a sua tristeza por isso. E a minha culpa, minha tão grande culpa!
Pombas, até agora, estamos lidando com a "infertilidade masculina". Hellooo, Rezinha! Acorda! Deixa de ser egoísta: nunca te passou pela cabeça que ele, o marido, apesar da pose de "durão" e "tá tudo bem", pode se cobrar? Pode sofrer com isso? Pode se culpar por não ter acontecido???
E o que todos ganham se você, esposa insensível, aumentar as cobranças em cima dele, como fez hoje? NADA, absolutamente NADA! Pelo contrário, os dois só perdem, não é mesmo?
Gente, por favor, não me entendam mal. Eu nunca encarei o problema que enfrentamos como um "problema dele". É um "problema nosso", sem dúvida alguma... Qualquer problema de infertilidade é DO CASAL, e ponto.
Mas ando cega com essa busca, com essa espera, com essa dor. E estou perdendo a noção do que posso ou não fazer, de até onde posso ou não surtar...
Agora, passadas algumas horinhas, já está tudo bem. A tristezinha dele passou, acho até que ele já esqueceu. Está aqui, todo engraçadinho de novo, fazendo piadas e bagunças pela casa, tentando me alegrar (ele é realmente especial!).
Prá me redimir, eu dei um carinho especial e repeti o quanto o amo. Não toquei no assunto, porque não quero "materizalizar" qualquer culpa sobre ele... E daqui a pouquinho vou abraçá-lo bem forte e dormir assim, juntinho...
Mas uma palavra dita não volta atrás... Estou mal, culpada, por ter dito o que disse e por, mesmo sem querer, ter percebido que estou colocando uma pressão maior do que deveria sobre ele...
E, não paro de me perguntar: Por que??? Por que é tudo tão difícil, hein???